Como preparar seu filho antes e depois do divórcio

Quando um casamento não vai bem, por vários motivos relacionados, geralmente termina em divórcio.  Explicar a separação às crianças não é nada fácil, mas é indispensável. Por isso, o Dicas Caseiras, listou algumas formas de como lidar com os filhos de maneira cautelosa e evitando um sofrimento maior dos mesmos.

Um processo de divórcio é sempre muito doloroso para os filhos. Mesmo quando termina a relação, por ser a melhor solução para toda a família. Tanto mais quando existem filhos no meio, perdidos entre inseguranças, receios e falsas culpas. O divórcio é um assunto complicado que pode pode levar meses ou anos para se resolver, mas no entretanto existe “aquele momento”, aquele em que os pais comunicam a sua decisão aos filhos.

Este é um momento extremamente importante para que a separação decorra da melhor forma possível. A sua importância, simbólica e prática, é a de um ponto de partida para a mudança, que deve ter sempre em vista o bem-estar e a felicidade das suas crianças.

Filhos e pais separados

O problema não está na separação, mas sim em pedir para a criança tomar partido ou usá-la como objecto de chantagem contra o cônjuge. Este é um dos erros mais cometidos pelos casais que tomam decisões de divórcio. A criança não precisa, nem deve participar deste momento.

Dicas importantes de como lidar com os filhos ANTES da separação:

Falar sobre separação longe dos seus filhos:

As crianças memorizam impressões negativas quando recebem qualquer tipo de estímulos brusco, por exemplo, quando os pais aumentam as vozes durante as brigas, acusações e explosões de raiva. O processo de separação deve ser conversado apenas entre o casal, longe dos seus filhos. Caso contrário, a separação poderá se tornar uma experiência traumática para os seus filhos.

Seja sempre sincero e directo com os filhos:

Objectividade, serenidade e honestidade,  são as regras mais importantes na conversa com os filhos. Mesmo quando a relação do casal já comporta alguma agressividade, esta conversa dever ser calma e serena. Os pais, por muito que lhes custe ver os filhos sofrer, precisam abrir algum espaço para que seus filhos possam manifestar os seus sentimentos. É importante deixá-los chorar ou mesmo expressar de alguma forma livre todas as emoções negativas que quase sempre marcam a reacção do divórcio: raiva, insegurança, dor.

Os filhos e os pais separados

Como proteger o seu filho:

É ainda aconselhável que o anúncio da separação não assuma a forma de um comunicado unilateral. É normal que os filhos não possam alterar a decisão tomada pelos pais, o que não quer dizer que as crianças sejam obrigadas à resposta do silêncio. Por isso, no caso dos filhos não dizerem nada, numa altura em que um turbilhão se instalou nas suas cabeças, cabe aos pais notarem se os devem deixar reflectir um pouco e organizar as ideias ou, pelo contrário, motivá-los a expor melhor as suas dúvidas.

Um psicólogo pode ajudar e muito:

Na maioria dos casos, as crianças, dependendo da sua idade, não conseguem traduzir o que estão a sentir no momento da descoberta e a separação dos seus pais pode ser sua primeira experiência ligada à perda, tais como, mudança de rotina, saudade, raiva e tristeza. Então, após a separação, se notarem um comportamento alterado, a criança deve ser encaminhada a um psicólogo. Se enfrentar esses sentimentos para um adulto é difícil, imagine para um filho. Um profissional como o psicólogo constrói uma ponte de entendimento que pode acalmar e evitar que a criança desenvolva comportamentos anormais. Quando a explicação para a separação tem uma abordagem correcta, elas são capazes de entender muito melhor.

Evite brigas e discussões:

Defeitos de personalidade e os feitios dos pais não são nada importantes para as crianças, elas não entendem ainda acusações de egoísmo, desorganização ou infidelidade. Mas, ainda que essas palavras não façam parte de seu vocabulário, elas são suficientemente capazes de absorver e captar as mudanças ocorridas quando há brigas e até mesmo uma conversa e interpretar tudo isso como algo negativo.

Pai precisa conversar com o filho

Somente depois do casal decidir que irão divorciar-se, há algumas e principais providências que a criança deve ser informada na separação, de preferência num clima de serenidade.

Como lidar com os filhos APÓS a separação:

Seja aberto ao diálogo:

Antes de mais, é preciso promover uma postura da verdade. Depois de tomada a decisão da separação, não vale a pena deixar atrasar a conversa obrigatória com os filhos. O pior é deixa-los notarem que algo se passa entre os pais, sem se prontificarem desde logo para falar, esclarecer e dissipar dúvidas. O subentendido é um terreno perigoso, que só aumenta os sentimentos de insegurança, medo e ansiedade dos filhos, que não compreendem exactamente o que está a acontecer nesse momento.

Pais separados

Como dizer a verdade para seu filho:

A criança deve saber o quanto antes da nova situação e sempre em conversa com o pai e a mãe, juntos, e nunca por intermédio de terceiros. Mesmo com crianças mais novas é importante deixar claro a situação, nem que seja através de uma pequena história que ilustre de forma mais realista possível o que se está e o que se vai passar. Chegada a altura da comunicação, a verdade é a melhor conselheira, desde que não seja motivo para acentuar o sofrimento inevitável das crianças perante o anúncio do divórcio. Tenha sempre atenção a capacidade de compreensão, independentemente da idade e não esquecer que a criança deve ser poupada e zelada a pormenores detalhados da separação que só contribuem para aumentar ainda mais sentimentos negativos.

É preciso fugir dos conflitos:

Mesmo nos casos de divórcio litigioso ou conflituoso, os pais devem sempre fazer um esforço para que esta sério problema não tenha os filhos como espectadores. Decidir a  nova situação familiar, custódia, apoio financeiro,visitas, etc. Não pode ser motivo para mais discussões. Ao contrário, deve ser apresentado uma nova forma de modelo de quotidiano familiar como um esforço sereno, para que a criança sinta alguma segurança e confiança na situação. Deve ser oferecido à criança um plano de acção marcado pela estabilidade, para minorar o seu sofrimento e sua vida daqui para frente.

Quanto mais novas são as crianças menos conseguem racionalizar seus sentimentos de frustrações decorrentes da mudança de rotina da família. Por isso, acabam apresentando um comportamento arredio e retraído, que termina sendo alterado em forma de agressividade ou timidez excessiva. Por isso, é preciso estar atento ao comportamento na escola, pois o ambiente escolar proporciona o relacionamento com outras crianças, o que pode facilitar a percepção de mudanças ocorridas.

Não se deve discutir na frente das crianças

É preciso explicar o divórcio à criança com máxima clareza possível:

As crianças devem ser completamente esclarecidas que o processo de divórcio é permanente, de forma a não alimentarem na cabeça a fantasia de uma reconciliação. Os pais devem ainda reforçar o facto que, por serem filhos de pais separados isso não é motivo de vergonha ou embaraço e que estão sempre disponíveis a apoiar os filhos a superarem as dificuldades e qualquer tipo de problema inerente à adaptação a uma nova vida e uma nova situação familiar.

Seja sempre coerente:

É o que criança realmente precisa, estando seus pais juntos ou separados, é que eles mantenham uma postura educacional pacífica e séria. Se a mãe proíbe, mas o pai libera, a criança pode se tornar manipuladora. A partir daí começam por usar os pais para conseguir tudo aquilo que desejam. Mesmo que os pais tenham opiniões diferentes, não é bom que as expressem deliberadamente na frente de seus filhos. O casal deve conversar entre si para chegar a um acordo sobre qual é a melhor decisão a ser tomada em relação aos filhos.

Um erro comum é trocar acusações durante as visitas aos filhos.

Os pais precisam entender que, mesmo com o fim do casamento, a união entre os casais que possuem filhos fatalmente continua. Porém, agora só haverá um objectivo em comum: o crescimento dos filhos, fortes e felizes.

E você conhece mais alguma dica de como ajudar os filhos no processo do divórcio? Se tem, partilhe com os outros leitores.



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