Métodos contracetivos – Quais são, como se usam, vantagens e desvantagens

O que é um método contracetivo? Quais os métodos contracetivos que existem? Para que servem? Estas e outras questões neste artigo sobre as formas de contraceção existentes.

Qualquer relação sexual corre o risco de originar uma gravidez, e, nos dias de hoje, é comum ver notícias sobre a gravidez precoce. Este acontecimento deve-se, muitas vezes, pela falta de conhecimento pela parte dos jovens. Com este artigo pretendemos transmitir informações que são necessárias saber sobre os vários métodos de contraceção. É muito importante que os jovens da atualidade estejam devidamente informados, para que saibam como se proteger. Este artigo poderá também ser útil para pessoas adultas que queiram aprofundar os seus conhecimentos, pois existem pessoas que pouco sabem sobre este assunto. Esperamos que este artigo lhe seja útil.

 

O que é um método contracetivo?

Um método contracetivo ou método de contraceção, é um processo que evita a fertilização do óvulo ou a implantação do ovo nas paredes do colo do útero. Estes processos podem ser classificados de acordo com o seu objetivo como métodos de barreiras mecânicas ou de barreiras químicas.

 

Quais os métodos contracetivos existentes?

Antes de mais, é importante salientar que para que seja adotado o método mais eficaz, é relevante marcar uma consulta como seu médico, de preferência o seu ginecologista.

Como citado anteriormente, existe dois tipos de métodos contracetivos: os de barreiras mecânicas e os de barreiras químicas. São eles os seguintes:

 

Métodos de barreiras mecânicas:

Preservativo masculino – este apresenta uma forma semelhante a uma manga em forma de saco e é feito de um material designado por látex. É colocado antes do início da relação sexual e tem como função recolher o sémen impedindo-o de chegar perto do óvulo e fertilizá-lo. Este é o único método contracetivo com proteção dupla, pois é um método contracetivo e protege contra as DST (doenças sexualmente transmissíveis). Mais nenhum método tem esta dupla capacidade de proteção.

Preservativo feminino – este método é relativamente recente em Portugal e não tem grande aderência. É feito de um tudo de borracha fina (látex) com um anel em cada extremidade. Antes de iniciar a relação sexual, um dos anéis é fechado de forma a poder ser inserido no interior da vagina, com o objetivo de tapar o colo do útero, o que é semelhante à função do diafragma. A outra extremidade do preservativo é aberta e ajustada à volta da vagina e da vulva. Tal como no preservativo masculino, este tem a dupla proteção.

Diafragma – este é dispositivo de borracha, em forma de cúpula, e é inserido no interior da vagina, perto do colo do útero, antes do início da relação sexual. O diafragma impede que os espermatozoides passem para o colo do útero. Devido ao fato de este dispositivo possuir vários tamanhos, deve ser consultado um médico antes de o utilizar.

 

Métodos de barreiras químicas:

Espermicida – é um líquido utilizado para matar os espermatozoides. Este líquido pode ser encontrado sobre a forma de cremes, supositórios, espumas, ou cremes colocados na vagina antes de cada relação sexual. O espermicida possui químicos que, como dito, matam os espermatozoides impedindo-os de fertilizar o óvulo.

DIU – O DIU (Dispositivo Intra-uterino) é um pequeno dispositivo de plástico revestido com um fio de cobre. Este impede a gravidez porque provoca uma alteração das condições uterinas. A colocação deste dispositivo é realizada por um médico e pode permanecer dentro do útero durante vários anos.

 

Método contracetivo para mulher - pílula

 

Pílula – este é um método que, através de ações de hormonas (estrogénio e progesterona), inibe a ovulação não permitindo a gravidez. As mulheres que utilizem este método devem consultar um médico periodicamente.

Contraceção não oral injetável – com podemos concluir através do nome deste método, trata-se de uma contraceção que consiste numa injeção intramuscular de uma solução líquida com acetato de medroprogesterona (DMPA). Esta solução, após injetada, mistura-se na corrente sanguínea e tem uma função semelhante à da pílula, ou seja, previne a ovulação não permitindo assim a gravidez.

Implante – este, ao contrário de alguns, é de longa duração. O implante liberta uma substância designada por progestagéneo prevenindo a ovulação. Tal como outros, a implantação de este dispositivo, no antebraço, é realizada por um profissional.

Adesivo – é um dispositivo fino, com a forma de um quadrado, não causador de desconforto e de fácil aplicação. O adesivo, ao transferir uma dose diária de hormonas, impede a ovulação e torna o muco do colo do útero mais espesso, dificultando assim a entrada dos espermatozoides.

Anel vaginal – este método contracetivo é feito de plástico, transparente e é possuidor de flexibilidade. Deve ser colocado e permanecido dentro da vagina durante 3 semanas, tempo onde vai libertar para a corrente sanguínea hormonas, estrogénio e progestagéneo, que impediram a ovulação.

 

Outros métodos contracetivos:

Métodos cirúrgicos – Estes métodos têm como objetivo bloquear os canais por onde passam os gâmetas masculinos e femininos. No homem é o corte ou ressecação dos canais deferentes (vasectomia) e na mulher nas trompas de Falópio (laqueação).

Método do calendário (tradicional/caseiro) – este método determinar os períodos férteis contando os dias da duração de um ciclo menstrual. Este processo é pouco eficaz.

Método das temperaturas basais (tradicional/caseiro) – O período fértil é calculado através da medição da temperatura, determinando o aumenta da temperatura pós-ovulatória.

 

Método contracetivo masculino - preservativo

 

Quais as vantagens e desvantagens destes métodos de contraceção?

 

Preservativo masculino:

Vantagens:

  • Não é necessário acompanhamento médico;
  • Previna as DST/IST*;
  • Contribuir, nem sempre, para minorar as situações de ejaculação precoce;
  • Não tem efeitos secundários nem contra-indicações.
Desvantagens:
  • Em alguns homens mais sensíveis, poderá ocorrer uma pequena alergia. Caso isto aconteça, contate o seu médico/farmacêutico para que lhe seja receitado algo para melhorar a alergia. Na maioria dos casos não é nada de grave;
  • Diminuição da sensibilidade.

Preservativo feminino:

Vantagens:

  • Previne as DST/IST*;
  • Ausência de efeitos secundários ou contraindicações;
  • Não necessita de supervisão médica;

Desvantagens:

  • Diminui a sensibilidade vaginal;
  • Pode ser de difícil inserção;
  • Custa aproximadamente 3 vezes mais do que os masculinos;
  • Possíveis alergias.

Diafragma:

Vantagens:

  • Não interfere no ato sexual;
  • Sem efeitos secundários.

Desvantagens:

  • Dificuldade na colocação e na utilização.

Espermicida:

Vantagens:

  • Fácil aplicação;
  • Não é necessário receita médica;
  • Não manifesta efeitos secundários graves.

Desvantagens:

  • Possíveis alergias;
  • Baixa eficácia;
  • Pode interferir no ato sexual.

DIU:

Vantagens:

  • Alta eficácia;
  • Longa duração.

Desvantagens:

  • Não protege contra as DST/IST*;
  • Necessita de uma especialista para ser colocado;
  • Aumento do fluxo menstrual;
  • Dor pélvica;
  • Corrimento vaginal.

Pílula:

Vantagens:

  • Não interfere na relação sexual;
  • Regulariza os ciclos menstruais;
  • Ajuda a melhorar a dismenorreia;
  • Não afeta a fertilidade da mulher;
  • Diminui a probabilidade de ter a DIP (doença inflamatória pélvica);
  • Reduz significativamente, 50%, o risco de cancro nos ovários.

Desvantagens:

  • É necessário uma toma regular diária, o que pode ser difícil para algumas mulheres;
  • Não protege contra as DST/IST*

Contraceção não oral injetável

Vantagens:

  • Elevado nível de eficácia;
  • Não interfere na relação sexual;
  • Não é necessário uma toma regular diária;
  • Reduz o risco de Carcinoma do endométrio;
  • Reduz as perdas de sangue.

Desvantagens:

  • Pode, por vezes, provocar irregularidade no ciclo menstrual;
  • Para voltar aos níveis normais de fertilidade, leva algum tempo;
  • Não protege contra as DST/IST*.

Implante:

Vantagens:

  • Eficácia muito elevada;
  • Longa duração (3 a 5 anos);
  • Não interfere na relação sexual;
  • Não implica uma toma regular diária.

Desvantagens:

  • É caro;
  • Não protege contra as DST/IST*;
  • Pode provocar instabilidade no ciclo menstrual;
  • Em algumas mulheres, pode causar mudanças de humor, dores de cabeça e náuseas.

 

Adesivo:

Vantagens:

  • Possui uma taxa de eficácia de aproximadamente 98%;
  • Apenas tem de mudar uma vez por semana e a mulher não necessita de se preocupar e usar outro tipo de contraceção;
  • Torna as hemorragias mais curtas, regulares e menos dolorosas;
  • É um processo reversível.

Desvantagens:

  • Não protege contra as DST/IST*.

Método contracetivo feminino - Anel vaginal

Anel Vaginal:

Vantagens:

  • Não interfere no ato sexual;
  • É reversível;
  • Menstruações (períodos) mais curtas e regulares;
  • Proteção contra o cancro dos ovários e colo do útero;
  • Previne o aparecimento de quistos nos ovários.

Desvantagens:

  • Pode provocar irritação vaginal;
  • Não protege contra as DST/IST*;
  • Pode provocar perda ou ganho de peso.

Métodos cirúrgicos:

Vantagens:

  • Seguro e eficaz;
  • Permanente;
  • Não interfere com o ato sexual;
  • Não tem efeitos secundários relevantes.

Desvantagens:

  • Não protege contra as DST/IST*;
  • Caso queira reverter o processo, fica dispendioso e é muito difícil de fazer o retorno com sucesso;
  • Em situações muito raras, pode haver risco de gravidez ectópica.

Método do calendário – Método das temperaturas basais

Vantagens:

  • Sem efeitos secundários;
  • Quando bem realizado, não necessita de supervisão médica;
  • É reversível.


Desvantagens:

  • Eficácia muito baixa;
  • Não protege contra as DST/IST*;
  • Pode requerer um período de abstinência grande.
 Nota: segundo um teste da “Proteste” os preservativos mais seguros são os “Harmony N”, “Hello Sensitive”, “Durex jeans” e “Durex extra-safe”.
*DST/IST – Doenças Sexualmente transmissíveis/ Infeções sexualmente transmissíveis.

 

Já ouvi falar no coito interrompido. O que é? É eficaz?

O coito interrompido consiste na retirada do pénis, do interior da vagina, momentos antes da ejaculação.

Este processo para além de requerer uma habilidade pela parte do homem, não é eficaz, porque mesmo antes de ocorrer a ejaculação, é libertado um líquido pelo pénis. Este líquido, é um lubrificante da uretra que pode conter espermatozoides, daí que pode haver fecundação mesmo com a adoção deste processo de coito interrompido.

É importante usar sempre preservativo.

 

Tive uma relação sexual e esqueci-me de usar um método de contraceção. O que faço?

Quando este tipo de situação acontece, existe o que é chamado de “Contraceção de Emergência”, que se refere aos métodos de contraceção que podem ser usados após uma relação sexual desprotegida.

Este tipo de contraceção pode adiar ou não permitir a ovulação (momento em que o óvulo sai do ovários), pode impedir a fertilização (momento em que o entra em contato com o óvulo) e a nidação (implantação do óvulo já fecundado na parede do colo do útero).

Pode ser utilizado como contraceção de emergência a pílula do dia seguinte (tem de ser tomada no máximo até 120 horas após a relação desprotegida) ou o DIU (dispositivo intra-uterino), que tem de ser colocado por um especialista num prazo máximo de 5 dias após a relação não protegida.

Este método de emergência é menos eficaz do que os indicados inicialmente, pode prevenir 3 em cada 4 gravidezes e é uma forma de reduzir o recurso ao aborto.

É relevante salientar que é importante consultar um médico ou farmacêutico antes de utilizar qualquer um destes métodos.

 

 

Não se esqueça: o preservativo é o único método que previne a gravidez e ao mesmo tempo protege contra as DST/IST. Antes de adotar qualquer método aqui descrito, consulte primeiro o seu médico ou farmacêutico. Para sua segurança e conforto, deve sempre pedir a opinião a algum especialista ante de tomar qualquer decisão.



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2 comentários até agora. Deixe também o seu!

  1. 10-07-2012

    @Vítor Nascimento:
    Muito obrigado Vítor pelo seu comentário e ainda bem que gostou do nosso artigo!
    Abraço e até uma próxima visita.

  2. Vítor Nascimento
    07-07-2012

    JAMAIS… JAMAIS… JAMAIS… EU DISSE JAMAIS (NEVER!) NA FACE DA TERRA VI (NA ESCOLA OU NA NET OU NOS LIVROS DE BIOLOGIA OU NAS AULAS DA PRÓ TÔNIA DE SEXOLOGIA OU MUITO MENOS NAS RODAS DE AMIGOS…) ALGO TÃO EXPLICATIVO, TÃO INFORMATIVO, TÃO SIMPLES DE SE ENTENDER, TÃO CURTO, PORÉM COMPLETO FALANDO SOBRE OS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS/ANTI-DST’S!!!

    PARABÉNS PELO POST!!!
    SE TODO BRASILEIRO VISSE ISSO, CONCERTEZA SE ARRISCARIA MENOS NO ATO SEXUAL!!
    MAIS UMA VEZ, PARABÉNS AO(S) AUTOR(ES) DESSE POST!!!

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